Rúben
É o quinto dia de viagem. Os camelos caminham vagarosamente. O trajeto é longo, e nem chegamos perto da metade. Estou, junto com meus dez irmãos, a caminho do Egito. A minha frente tem um mar. Sua extensão parece não ter fim. Sua largura parece ser incomensurável. Quisera o Senhor que fosse este mar de água. Não o é. É de areia. O sol, com seu calor intenso, castiga minha carne, ela no entanto parece estar acostumada com o castigo. Habituou-se a ele. Talvez porque saiba que o merece. A culpa, tal como o carrasco sol, fere-me constantemente. Razões não faltam para isso. Filho primogênito de uma das maiores famílias de Canaã. Herdeiro da terra prometida pelo próprio Deus a meu bisavô. Herdeiro de fortunas, bens, ovelhas, terras. Responsável por liderar a família depois de meu pai. De nada valem essas honras. De nada valem os privilégios de um homem cheio de culpa. Ela rouba cada alegria. Ela seca cada vestígio de felicidade, assim como este sol seca esta terra onde eu passo com ...