Davi e o dilema da virtude humana
O renascimento trouxe de volta, ao menos de forma mais intensa, uma apreciação à estética, a dignificação do belo. Davi foi escolhido por Michelangelo para representar essa visão. Não sem razão. Afinal, quem, no seu tempo, seria melhor para representar um conjunto amplo de virtudes? Davi era rico, poderoso como rei, habilidoso como soldado, talentoso como músico e poeta, famoso entre homens e mulheres. Não obstante essas qualidades tendem a deixar o homem mais envaidecido, pedante e impiedoso, contudo isto não ocorre com Davi. Ele foi um rei devoto, misericordioso e temente a Deus. No entanto, um grave deslize em sua vida nos dá uma sensação de amargor, de náusea, de horror, por nos fazer refletir sobre o que há de pior na natureza humana. Vejamos o deslize. Davi, tendo ficado em casa num momento que em Israel estava em guerra, ao se levantar da cama e subir ao terraço, nota Bate-Seba -esposa de um soldado heteu que lutava por Israel- nua, banhando-se. Davi a cobiçou, depois disso...