Silêncio
Celular desperta. Levanto-me e escovo os dentes. Escuto o soar das notificações no meu celular. Algumas mensagens de bom dia, fotos e vídeos engraçados. Gosto de alguns. Faço meu café e vou trabalhar. Escuto música durante todo o trajeto feito por trem, ônibus e uns 15 minutos a pé. Durante o trajeto, meus pensamentos vagam entre meus planos, projetos para o futuro, preocupações com contas, a pressão no trabalho. Resumindo: Preocupação, medo, ansiedade, e claro, aquele vídeo engraçado que vi quando nem terminara de escovar os dentes. O trabalho é agitado. Telefonemas, negociações, pressão do supervisor. Saio do trabalho, e vou à faculdade.
Terminada a aula, volto de trem escutando músicas, e naquele turbilhão de pensamentos, eu penso: Como meus avós e bisavós conseguiam viver em um tempo sem televisão, celulares, sem WhatsApp, nem redes sociais? Trabalhavam no campo, e iam para suas casas sem wifi, vivendo suas vidas chatas. Fico entediado só de pensar nisso. Percebo, entretanto, que eles desfrutavam de algo que careço: Silêncio. Em nenhum momento do meu dia tenho silêncio. Mesmo quando não estou falando, mesmo quando não respondo mensagens, minha mente trabalha, minha alma é agitada.
Vejo que toda essa rotina que tenho é reflexo do meu espírito, que anseia por bonança que nunca chega. Águas sempre estão agitadas, nuvens sempre negras. O tempo está fechado. Existe virtude no silêncio. Virtude que o homem contemporâneo não conhece. Desde o mais pobre até o mais rico. Já dizia Salomão, o homem mais sábio do seu tempo: O sábio guarda silêncio. Tirei meus fones. Desliguei meu celular. Achei um banco livre no trem e sentei. Calei-me. Depois de muitos anos, o céu estava limpo e as águas calmas. Que doce virtude é o silêncio.
Very good!
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