Crianças da terra de Nárnia

A obra de C.S Lewis, apesar de ser categorizada como fantasia, representa a muito bem a realidade, especialmente para o cristão. Não obstante, o autor não tenha o compromisso de fazer alegoria em todo momento, com todos os personagens, existe claramente referências a visão de mundo cristã, seja ao apresentar certas doutrinas, seja ao mostrar toda experiência cristã, com todos os seus altos e baixos.

 Algumas doutrinas são bem claras, outras requerem um pouco de atenção. Por exemplo,  ideia de que somente os filhos de Adão e Eva poderiam governar sobre Nárnia, é uma clara referência a imago dei, doutrina de que o homem, por ser imagem e semelhança de Deus, possui domínio sobre o mundo. A Trindade é singelamente representada pelo Leão, que é Cristo  e o Imperador de Além-Mar que é Deus Pai. Embora não haja referência direta ao Espírito Santo-talvez pela razão de ser difícil representar a Trindade na literatura, e pelo fato de que mexer nesta doutrina é tocar em vespeiro-é possível deduzir que  se faz presente. Especialmente quando as crianças se sentiam, como de forma mágica, mais fortes e capazes, e habilitadas quando chegavam a Nárnia. É importante destacar também a presença imponente de Aslam sempre que surgia, Lewis descreve com maestria a glória do Leão, bem como seu caráter, seu amor e seu poder. A doutrina da justificação também é claramente retratada na obra, especialmente nos personagens Edmundo e Eustáquio. Personagens que o autor faz questão de causar no leitor uma sensação de indignação e desprezo, e que também faz questão de mostrar a incrível transformação deles

O mal e o ceticismo são presentes na história. Apesar de escrever para crianças, Lewis não as poupa de guerras, sangue e mortes. Por trás desses acontecimentos, sempre há uma figura maligna que ludibria as demais criaturas para destruir a esperança dos habitantes de Nárnia. É intrigante como o autor apresenta o ceticismo também. Ele demonstra que o ceticismo, na tentativa de fazer da imaginação, da esperança e fé inimigas da razão, apenas se distancia da verdade e da realidade.

Para não alongar mais este texto, acho interessante ressaltar também a valorização do meio ambiente na obra. Tal como Tolkien, e outros conservadores mais antigos, Lewis demonstra sua paixão a natureza, e não perde oportunidade de criticar o mal do desmatamento- e a maneira como ele faz isso com as mortes das dríades, pelo comércio de madeira de Manhoso com os calormanos é sensacional!- lembrando-nos que a defesa do meio ambiente não é um princípio ideológico, mas cristão.

As Crônicas de Nárnia nos mostra a beleza da jornada cristã. Ela nos recorda que apesar da calamidade, do mal no mundo, podemos, com a alegria que procede de Cristo, podemos aproveitar as pequenas coisas da vida como uma boa refeição , e uma boa dança e música como os faunos e as dríades. Nos lembra que até o pior pecador pode tornar-se justo e que até o mais fraco e simples dos seres, pode ser, guiado por Aslam, um famoso guerreiro ou rei.

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